Paramos na Idade em que nos Falta Amor
- Cristina Fernandes

- há 17 horas
- 3 min de leitura
Com muita frequência, encontro-me com pessoas que, exteriormente, aparentam ter 30, 40 ou 50 anos, mas que, no fundo, ficaram retidas na infância. Carregam consigo a sede de um amor que lhes faltou quando eram pequenas e assim permanecerão até ao momento em que aprenderem a encontrar essa satisfação dentro de si mesmas.

Na verdade, nós paramos de crescer na idade em que nos falta amor.
Cada etapa do crescimento é definida por uma necessidade específica. A forma como precisamos do cuidado e do afeto dos nossos pais transforma-se ano após ano. Se essa necessidade não é suprida, a ferida cristaliza-se.
A Primeira Infância: O Nascimento da Confiança
No início da vida, forma-se a base de tudo: a confiança. Neste estágio, o amor traduz-se através dos cuidados físicos da mãe e da sua atenção constante às necessidades do bebé. Se, nesta fase, o carinho é inconstante ou se existe rejeição, a criança desenvolve uma desconfiança profunda e um medo excessivo do mundo.
Na vida adulta: Estas pessoas sentem uma dificuldade enorme em estabelecer contacto. Nas relações, sentem uma necessidade compulsiva de testar o outro, exigindo provas constantes de fidelidade e entrega. Em intimidade, sentem-se desmesuradamente vulneráveis e indefesas.
Dos 2 aos 3 anos: Autonomia ou Vergonha
Nesta idade, a criança começa a descobrir a independência e o autocontrole. Se os pais bloqueiam este desenvolvimento — seja por fazerem tudo pela criança (superproteção), seja por exigirem tarefas impossíveis para a idade — geram nela um sentimento de vergonha. Se as correções forem constantes e rígidas, a criança perde a capacidade de controlar o que a rodeia e, consequentemente, de se controlar a si mesma.
Na vida adulta: Em vez de autoconfiança, sentem-se permanentemente observadas e julgadas. Frequentemente, interpretam o comportamento dos outros como desaprovação e podem desenvolver traços obsessivos ou sentimentos de perseguição.
Dos 3 aos 6 anos: Iniciativa ou Culpa
Aqui, o amor demonstra-se através do incentivo à autonomia, apoiando a iniciativa, a curiosidade e a criatividade. Se os pais respondem a este ímpeto de exploração com castigos ou repressão, instalam na criança um sentimento de culpa paralisante.
Na vida adulta: Esta carência manifesta-se pela falta de foco para resolver problemas ou para traçar e alcançar metas. O sentimento de culpa constante pode levar à passividade e a uma sensação de impotência perante a vida.
A Idade Escolar: Produtividade ou Inferioridade
É nesta fase que se desenvolve a diligência e o gosto pelo trabalho. Se as capacidades da criança são postas em causa, o seu desejo de aprender é substituído por um sentimento de inferioridade. Por outro lado, se as notas e o desempenho escolar forem os únicos critérios de valorização, a criança crescerá acreditando que o seu valor depende apenas da produtividade.
Na vida adulta: Podem tornar-se parte da "massa trabalhadora" submissa, que apenas sabe obedecer a hierarquias preestabelecidas, perdendo a capacidade de ser uma força ativa e criativa na sociedade.
O Caminho da Cura: Dar a mão à sua Criança Interior
Proponho-lhe que ajude a sua criança interior a crescer. Procure uma fotografia sua de quando era pequeno ou, simplesmente, feche os olhos e visualize essa criança. Quantos anos tem ela? Como é a sua expressão? O que pensa e quem está ao seu lado? O que é que a preocupa hoje?
Fale com ela.
Experimente este exercício: pegue numa folha de papel e em duas canetas de cores diferentes. Use a sua mão dominante (a que usa para escrever) para representar o seu "Eu Adulto" e a mão não dominante para representar o seu "Eu Criança".
Inicie uma conversa por escrito. Deixe que a criança fale primeiro. As respostas que surgirão da sua mão não dominante podem ser inesperadas e profundamente reveladoras.
Este é o momento de iniciar uma relação real consigo mesmo. Pergunte à sua criança do que é que ela precisa e, finalmente, dê-lhe o que ela pedir. Chame-a pelo seu próprio nome, use palavras doces, expresse o seu amor e ofereça-lhe proteção.
Seja para si próprio o pai ou a mãe que teria precisado de ter nessa idade. Só quando essa criança se sentir segura é que o adulto poderá, finalmente, viver em plenitude.
Cristina Fernandes





Comentários