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Abordagem da Neurodivergência em Adultos

"Às vezes, as mentes mais brilhantes e inteligentes não brilham em testes padronizados, porque elas não têm mentes padronizadas."

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A neurodivergência não é uma doença a ser curada, uma lacuna a ser preenchida ou um conjunto de sintomas a reprimir. Sob o paradigma da neurodiversidade, conceptualizado originalmente por Judy Singer e aprofundado por pensadores como Nick Walker, encaro as variações neurobiológicas - como o Autismo Nível 1, o PHDA e a sobreposição AuDHD - como manifestações naturais e valiosas da diversidade humana.

A minha prática psicoterapêutica integrativa afasta-se do modelo puramente patológico para se focar na pessoa real: nas suas estratégias de adaptação, na sua história de vida e nas barreiras ambientais e sociais que enfrentou ao longo do tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A minha intervenção apoia-se em evidências científicas e contribuições clínicas desenvolvidas pelos principais investigadores mundiais no campo do autismo e da neurodivergência:

  • Autismo Feminino/Masculino e Camuflagem Social (Masking): Incorporo as análises do Dr. Tony Attwood sobre as competências de imitação cognitiva no perfil  Nível 1, os estudos da Dra. Sarah Bargiela sobre o subdiagnóstico escolar e a identificação precoce, e as investigações neurobiológicas e epidemiológicas do mapeamento quantitativo do masking lideradas pela Dra. Meng-Chuan Lai. A reflexão sobre o viés de género na ciência fundamenta-se nos trabalhos sobre neuroplasticidade da Dra. Gina Rippon.

  • Paradigma da Neurodiversidade e Autismo Adulto: Assento a minha concetualização na sociologia de Judy Singer, na filosofia do paradigma de aceitação e movimento neuroqueer do Dr. Nick Walker, e na psicologia social do desmascaramento (Unmasking Autism) desenvolvida pela Dra. Devon Price. A evolução dos critérios diagnósticos e psicodinâmicos apoia-se nas contribuições da Dra. Uta Frith.

  • Intersecção Clínica e AuDHD: A compreensão do conflito interno entre a necessidade de rotina e a busca de novidade baseia-se no trabalho da Dra. Megan Anna Neff. As especificidades do AuDHD  e a sua relação com flutuações hormonais seguem as investigações da Dra. Samantha Hiew.

  • Perspetiva Transversal: As investigações e publicações de Simon Baron-Cohen informam transversalmente a avaliação das dimensões de empatia, cognição e sistematação do perfil neurodivergente.

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A necessidade contínua de adaptação a um ambiente frequentemente pouco preparado para a diversidade neurobiológica exige da pessoa neurodivergente a criação de mecanismos compensatórios profundos. Embora muitas vezes invisíveis aos olhos de quem está de fora, estas estratégias de sobrevivência geram um desgaste silencioso com impactos significativos na saúde mental e no bem-estar ao longo da vida.

O Processo de Camuflagem Social (Masking)

O masking traduz-se na supressão — consciente ou inconsciente — dos traços neurodivergentes autênticos. Para se proteger da rejeição ou do julgamento, a pessoa aprende a imitar comportamentos neurotípicos, a inibir respostas sensoriais ou motoras naturais e a elaborar guiões mentais exaustivos para gerir as interações sociais do quotidiano.

As Consequências Clínicas da Camuflagem Continuada

Viver continuamente sob uma máscara exige um esforço cognitivo e emocional descomunal. A longo prazo, a camuflagem continuada resulta numa sobrecarga sensorial e psicológica crónica, dificulta ou atrita a identificação diagnóstica atempada — especialmente na idade adulta — e pode levar a uma dolorosa sensação de dissociação identitária, em que a pessoa perde o contacto com as suas próprias necessidades e essência.

O Esgotamento Autista (Autistic Burnout)

Como resultado direto do esforço crónico de camuflagem e da ausência prolongada de acomodações ambientais e sociais adequadas, surge o esgotamento autista (autistic burnout). Trata-se de um estado devastador de exaustão mental, física e emocional profunda, no qual o sistema nervoso colapsa por incapacidade de sustentar o sobreesforço contínuo.

O Impacto Funcional do Burnout

Na prática clínica, o autistic burnout manifesta-se por uma perda temporária e assustadora de competências executivas já adquiridas, uma redução drástica da tolerância a estímulos sensoriais e uma impossibilidade temporária de dar resposta às exigências e rotinas mais básicas do quotidiano. Não se trata de uma falha de vontade, mas sim de um limite fisiológico e emocional que exige desaceleração, validação e suporte especializado.

Resposta à Comunidade e Famílias

A neurodivergência manifesta-se através de diferenças de processamento funcional e sensorial, e não por um défice de caráter do indivíduo. O sofrimento e a desregulação comportamental resultam frequentemente da fricção contínua entre um sistema nervoso neurodivergente e um ambiente que não oferece as acomodações necessárias. Promover o apoio adequado exige a substituição da tentativa de correção comportamental por estratégias de acessibilidade sensorial, clareza na comunicação e respeito pelos ritmos individuais de cada pessoa.

O Caminho do Acompanhamento Terapêutico

Acolhimento e Reconstrução da Narrativa de Vida

Análise do percurso pessoal à luz do perfil neurodivergente, recontextualizando memórias de inadequação ou isolamento.

Mapeamento de necessidades e limites 

Identificação dos fatores de sobrecarga sensorial, social e cognitiva que conduzem à exaustão.

Desenvolvimento de estratégias de acomodação 

Criação de rotinas sustentáveis, comunicação de necessidades e escolha de ambientes favoráveis ao bem-estar.

Aceitação, Integração e Autonomia

Consolidação da autonomia emocional, para viver de forma plena sem sacrificar a própria identidade.

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Qr Code Cristina Fernandes
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