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Porque atraio perfis narcisistas?

Será que foram encontros ao acaso, e simplesmente foi azar tê-los conhecido?


Close-up view of a serene meditation space with soft lighting

 

É muito improvável que um narcisista tenha surgido na tua vida “por acaso”. Na maioria das vezes, ele escolhe as suas vítimas com muito cuidado. Sente‑se atraído por aquilo que a pessoa tem e que ele deseja para si: beleza, inteligência, cultura, estatuto social, dinheiro, carisma, popularidade. Em suma, ele procura alguém que, de alguma forma, o faça sentir que está a ganhar: algo que tu és e que ele, no fundo, sabe que não consegue ser.


Mas há um traço quase sempre presente em todas as vítimas: empatia.


O que é ser empático?


Ser empático é ter uma grande sensibilidade emocional. É:


  • perceber de forma quase imediata o que o outro sente e precisa

  • conseguir colocar‑se no lugar do outro com facilidade

  • sintonizar com o ambiente à volta, captando tensões, tristezas, frustrações

  • ligar‑se emocionalmente às pessoas com profundidade, e não apenas à superfície


É um dom poderoso, mas também uma vulnerabilidade quando não é protegido por limites claros.

Podemos encontrar diferentes tipos de empáticos:


1. O empático retraído

É aquela pessoa que sente tanto o que os outros sentem que, para se proteger, tende a isolar‑se. Afasta‑se de certas pessoas, evita conflitos, ambientes pesados e cheios de tensão, porque “absorve” facilmente a dor, a raiva, a tristeza do outro.O isolamento, aqui, é uma defesa: é a forma que encontra para não se afogar na negatividade alheia.


2. O empático pacificador

Este é o empático que:

  • valoriza profundamente a harmonia

  • prefere a paz ao confronto

  • é humilde, não precisa de destaque, nem de ser o centro das atenções

  • cede naturalmente o protagonismo a quem gosta de poder e de palco

  • vê sempre “o bom” nas pessoas, relativiza falhas, compreende limitações

  • sente compaixão com muita facilidade


Detesta injustiça e crueldade. Muitas vezes, luta com convicção pelos direitos dos outros, mas raramente luta com a mesma força pelos seus próprios.E é precisamente aqui que se torna um alvo ideal: está habituado a ceder, a compreender, a perdoar, a dar segundas (e terceiras, e quartas…) oportunidades.


Porque é que empáticos atraem narcisistas?


As pessoas empáticas atraem psicopatas e narcisistas como a luz atrai as mariposas.

Narcisistas e psicopatas percebem, com enorme rapidez, quem:

  • é compreensivo

  • tem dificuldade em dizer “não”

  • se culpa com facilidade

  • tende a justificar o comportamento abusivo do outro

  • está disposto a tentar “salvar” ou “curar” quem sofre


Eles sabem que uma pessoa empática vai aguentar muito mais do que a maioria:vai relativizar ataques, minimizar faltas de respeito, acreditar nas desculpas, nos discursos emocionais, nas promessas de mudança.


Quando o empático finalmente começa a perceber o que está a acontecer, muitas vezes já está profundamente envolvido e esgotado:

  • sem energia

  • com a autoestima em ruínas

  • isolado de amigos e família

  • com a vida profissional ou financeira comprometida

  • num estado de confusão e devastação emocional


Virtudes usadas como arma

Os narcisistas são vorazes em relação a amor, atenção e validação.Já os empáticos são generosos, disponíveis, honestos, abertos. Não lhes passa facilmente pela cabeça que alguém possa usar deliberadamente os outros, manipular, enganar, apenas para benefício próprio.


As pessoas empáticas:

  • são leais e dedicadas

  • esforçam‑se para que as relações resultem

  • assumem culpas que não são delas

  • sacrificam o seu bem‑estar para manter a ligação


O narcisista, por seu lado, tira um prazer quase sádico em manipular essa dedicação.Sendo um excelente actor, sabe:

  • fazer‑se de vítima

  • contar histórias comoventes sobre o próprio sofrimento

  • evocar a compaixão do empático

  • virar o jogo para parecer sempre o mais magoado, o mais injustiçado


Assim, mantém o empático preso por culpa, pena e esperança de que “desta vez ele vai mudar”.


Ele não te escolheu pelas tuas fraquezas, mas pelas tuas virtudes


É fundamental entender isto:

  • Não foste escolhida por seres fraca.

  • Foste escolhida porque és forte, sensível, leal, generosa, capaz de amar profundamente.


O narcisista viu em ti algo valioso.O problema nunca foram as tuas qualidades.O problema foi ele ter usado essas qualidades contra ti.


Então, vale a pena perguntar:

  • O problema é ter as virtudes,ou é o narcisista ter usado essas virtudes para te manipular?

  • O problema é tu não teres visto logo a farsa,ou foi ele que construiu uma armadilha calculada para te enganar?


Quando alguém monta uma armadilha, a responsabilidade principal é de quem a arma, não de quem cai nela.


Culpa, vergonha e responsabilização

Não permitas que as pessoas te acusem de “teres permitido”, “teres deixado chegar a esse ponto”, “não teres saído mais cedo”.Sobretudo, não continues a repetir esse discurso dentro de ti.

Reconhecer o que aconteceu não é o mesmo que te culpar.É um passo de coragem e lucidez.


A culpa não está em:

  • teres acreditado no amor

  • teres confiado

  • teres tentado ajudar

  • teres dado o melhor que sabias dar


A responsabilidade está em quem:

  • mentiu

  • manipulou

  • distorceu a realidade

  • usou a tua empatia como ferramenta de controlo


Não te ataques por teres sido generosa.Trabalha, sim, para que essa generosidade, daqui para a frente, venha acompanhada de limites firmes, auto‑respeito e consciência do teu valor.

Acima de tudo: não te culpes, não te acuses, não te envergonhes de quem és. As tuas virtudes não são o problema. São, precisamente, aquilo que vais precisar para te reconstruir e seguir em frente.


Cristina Fernandes



 
 
 

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