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O Impacto da Parentalidade Ausente: Da Criança Ferida à Cura do Adulto

Hoje, assistimos de forma crescente às consequências de uma parentalidade ausente. Este fenómeno é, em parte, fruto das mudanças nos modelos familiares e do aumento de famílias monoparentais. Contudo, é crucial distinguir: muitas destas configurações não resultam apenas de divórcios, mas de atitudes de alienação deliberada. Seja pelo homem que se "esquece" das suas obrigações e do amor que um filho exige, ou por mães que, como forma de represália, impedem os pais de exercerem o seu papel.


Close-up view of a serene therapy space with cushions and calming decor

Este é um tema recorrente em consultório e presente no meu círculo pessoal. É importante sublinhar que conheço homens que são pais exemplares — dedicados, cuidadores a solo ou que lutam exaustivamente contra processos de alienação parental.


A História por Trás da Ausência

Por trás de cada progenitor que falha no seu papel, existe quase sempre uma história de dor: uma criança ferida que não encontrou outra resposta para o seu sofrimento. Pais e mães são, antes de tudo, homens e mulheres com vivências e traumas de infância muitas vezes reprimidos e desconhecidos por eles próprios.

O mundo mudou mais nos últimos 40 anos do que nos 100 anteriores. Precisamos de atualizar as nossas teorias e estudos para encontrar soluções que interrompam este ciclo de raiva e dor, evitando que padrões inconscientes impeçam a plenitude humana.


As Consequências do Vazio Paterno

Estudos indicam que crianças com pais presentes e envolvidos apresentam:

  • Maior autoestima e segurança emocional;

  • Relações sociais mais saudáveis e maior empatia;

  • Melhor desempenho escolar e inteligência emocional elevada.

Em contrapartida, a ausência paterna gera defesas automatizadas que variam conforme o indivíduo. O desapego emocional, a dificuldade em aceitar autoridade, a baixa tolerância à frustração e a repetição do comportamento de abandono são respostas comuns.

A rejeição é absorvida pela criança como uma negação do seu próprio direito de existir, de ser vista e de ser amada. Na vida adulta, isto reflete-se em sentimentos de não-merecimento, autossabotagem e um perfecionismo paralisante.

O Ciclo das Relações Tóxicas

Adultos que carregam esta criança ferida são mais propensos a relações de dependência. A crença de "não ter sido suficiente para ser amado pelo pai" leva-os a tornarem-se cuidadores abnegados em relações abusivas, acreditando que, se conseguirem "salvar" o parceiro, provarão finalmente o seu valor.


O Processo de Cura: A Metáfora da Onda

O primeiro passo para a cura é o reconhecimento e a aceitação da dor. É fundamental criar um espaço seguro onde as emoções reprimidas possam ser validadas sem julgamento.

Gosto de utilizar a metáfora das ondas do mar: as emoções reprimidas são como ondas que ficaram "congeladas" no seu pico máximo. O processo terapêutico serve para permitir o "vazamento" dessa onda, deixando-a finalmente atingir a zona de rebentação para que a energia se dissipe.

Sobre o Perdão: O perdão não deve ser forçado. Se ocorrer, deve ser uma consequência natural do processo e não uma obrigação. Impor o perdão prematuramente é contraproducente e apenas aprofunda a culpa e a frustração.


Conclusão O caminho terapêutico deve respeitar o ritmo de cada ser. O objetivo final é a ressignificação do trauma, capacitando o indivíduo para respostas mais assertivas e libertando-o para viver uma vida consciente, plena e senhora do seu próprio destino.


Cristina Fernandes


 
 
 

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